Essa é uma das perguntas que mais recebo no dia a dia, e assim como escolher seu Pokemon inicial essa é uma escolha muito importante na hora de realizar uma tarefa.
Neste artigo vou falar um pouco de quais aspectos considerar e sair um pouco do clássico “depende” para uma decisão mais baseada em dados, benchmarks e experiência prática.
Então bora lá!
Níveis de complexidade das tarefas
- Simples: ajustes pontuais, documentação e testes básicos
- Priorizando modelos mais rápidos e econômicos
- Intermediária: implementação de features, refatorações e execução de skills
- Modelos que priorizem o equilíbrio entre qualidade, velocidade e custo
- Complexa: Decisões arquiteturais, debugging avançado e problemas que exigem maior raciocínio
- Priorizar modelos com uma janela de contexto maior e raciocínio estendido
| Complexidade | Anthropic | OpenAI | DeepSeek | Outros modelos de mercado que podem estar aqui | Esforço sugerido |
|---|---|---|---|---|---|
| 🟢 Simples | Haiku 5.5 | GPT-6 Luna | V4.1 Flash | Qwen (versões menores), GLM Flash | Low a Medium |
| 🟡 Intermediária | Sonnet 5.5 | GPT-6.1 Sol | V4 Pro | Kimi, GLM, MiniMax | Medium a High |
| 🔴 Complexa | Opus 5.5 (Fable 5.1 se faltar) | GPT-6 Astra | V4 Pro com raciocínio ligado* | Qwen Max, Kimi com thinking | High a Max |
Temos uma variedade gigante de modelos hoje (assim como pokemons…), acima temos uma tabela com sugestões de quais modelos podem fazer mais sentido para cada nível de complexidade, mas é importante testar e validar o que melhor se encaixa para sua necessidade.
Já vou dar um spoiler aqui: utilizo o GPT-5.6 Luna para a maior parte das minhas tarefas, claro que colocando o raciocínio estendido quando necessário, mas para tarefas simples ele é rápido e barato, e para tarefas complexas ele consegue entregar um bom resultado.
Quais são os principais fatores a considerar ao escolher um modelo de LLM para sua tarefa?
- Agentic (Capacidade agêntica)
- Reasoning (Capacidade de raciocínio)
- Context Window (Janela de contexto)
- Latência
- Custo por token
Agentic (Capacidade agêntica)
Capacidade de executar tarefas de forma autônoma, utilizar ferramentas, navegar por repositórios de código e resolver problemas em múltiplas etapas. Isso é um dos principais pontos que virou o jogo e fez a diferença entre os modelos de hoje e os de 2023, lá com o ChatGPT 3.5, tínhamos modelos que não conseguiam executar tarefas de forma autônoma.
Hoje os modelos de fronteira focam principalmente em capacidade agêntica, e isso é um ponto que deve ser considerado na hora de escolher o modelo certo para sua tarefa no claude code, codex ou qualquer ferramenta de harness que você utilize.
Reasoning (Capacidade de raciocínio)
| Capacidade de raciocínio | Descrição |
|---|---|
![]() | Raciocínio reduzido: Prioriza respostas rápidas e menor consumo de tokens. Indicado para tarefas previsíveis, como ajustes simples, documentação e geração de código repetitivo. |
![]() | Raciocínio moderado: Equilibra profundidade, velocidade e custo. É um bom ponto de partida para implementação de features, testes, refatoração e tarefas com skills. |
![]() | Raciocínio aprofundado: Adequado para problemas que exigem investigação, análise de múltiplos componentes e avaliação de trade-offs, como bugs difíceis, concorrência e performance. |
![]() | Raciocínio intensivo: Destinado a problemas especialmente complexos, com muitas dependências, hipóteses e restrições. Pode aumentar significativamente o custo e o tempo de processamento. |
Context Window (Janela de contexto)
A janela de contexto é o número máximo de tokens que o modelo consegue considerar durante a execução de uma tarefa. Esse limite é compartilhado entre os tokens de entrada — como instruções, histórico e documentos — e os tokens de saída gerados pelo modelo. Modelos com janelas maiores podem lidar com tarefas mais complexas, desde que o conteúdo seja realmente relevante.
flowchart LR
subgraph IN["Tokens de entrada"]
direction TB
A["Instruções do sistema"]
B["Histórico da conversa"]
C["Documentos e código"]
end
subgraph W["Janela de contexto (ex.: 1M tokens)"]
direction TB
M(["Modelo"])
Z["⚠️ Dumb zone<br/>a partir de ~40% a eficiência cai"]
end
OUT["Tokens de saída<br/>resposta gerada"]
A --> M
B --> M
C --> M
M --> OUT
OUT -. "volta ao histórico<br/>e consome o mesmo limite" .-> B
M -.- Z
style Z fill:#3d2b00,stroke:#d29922,color:#e3b341Entrada e saída dividem o mesmo orçamento de tokens, e a resposta gerada volta para o histórico, ocupando ainda mais espaço no próximo turno.
Disclaimer: Não é porque temos 1M de tokens de contexto que o modelo vai conseguir usar tudo isso de forma eficiente, temos uma dumb zone onde, a partir de 40% da janela de contexto o modelo começa a perder eficiência, então é importante sempre testar e validar.
Latência
A latência é o tempo que o modelo leva para gerar uma resposta. Modelos com menor latência são ideais para tarefas que exigem respostas rápidas, como interações com clientes em SaaS, chatbots e assistentes virtuais.
Enquanto modelos com maior latência podem ser mais adequados para tarefas complexas que requerem raciocínio mais profundo onde o mais importante é a qualidade da resposta, como decisões arquiteturais e debugging avançado.
Custo por token
Esse aqui é o que pesa no final do mês para quem utiliza modelos pagos, sempre analise esses números mágicos:
- Input tokens: tokens que você envia para o modelo
- Output tokens: tokens que o modelo gera como resposta
Exemplo: Rodando um /usage no claude
Settings Status Config Usage Stats
Session
Total cost: $0.4339
Total duration (API): 59s
Total duration (wall): 31m 31s
Total code changes: 25 lines added, 3 lines removed
Usage by model:
claude-haiku-4-5: 929 input, 17 output, 0 cache read, 0 cache write ($0.0010)
claude-sonnet-5-5: 732 input, 5.6k output, 1.0m cache read, 42.1k cache write ($0.4329)
Prompt cache (main): 15 requests · 95% of input tokens from cache · no misses · warm (1h TTL, last activity 13m 15s ago)
Aqui podemos ver que o modelo Sonnet 5.5 gerou 5.6k tokens de saída, e o custo por token foi de $0.4329, enquanto o modelo Haiku 4-5 gerou apenas 17 tokens de saída com um custo de $0.0010.
Exemplo de custo de input e output por modelo:

Uma estratégia interessante: Escalonamento de modelos
Em vez de utilizar sempre o modelo mais poderoso, podemos adotar uma estratégia de Model Routing:
- Começar com um modelo mais equilibrado, como Sonnet.
- Avaliar a qualidade da resposta e capacidade de execução.
- Escalar para um modelo mais poderoso quando houver dificuldade de raciocínio, baixa qualidade ou complexidade maior.
- Retornar para modelos menores durante tarefas de implementação mais previsíveis, como ajustes simples, documentação e geração de código repetitivo.
Isso também se aplica ao Loop Engineering, no qual diferentes agentes podem utilizar modelos diferentes dependendo da complexidade da tarefa que estão executando. Cada agente é como um Pokemon do seu time, escalado para o confronto em que tem vantagem: planejar, implementar ou revisar.

Benchmarks
Quem acompanha o Podcast AI Sob Controle da Alura sabe que temos diversos benchmarks para analisar os modelos que saem toda semana, até é complicado acompanhar 😅. Essas análises são muito úteis para termos uma perspectiva de como os modelos evoluem e foi deles que trouxe as principais métricas acima.
Aqui tem um exemplo do mês de outubro de 2026 no BenchLM com os principais modelos do mercado, e como eles se comportam em relação a raciocínio, latência e custo por token.

Na maioria dos provedores, mais esforço de raciocínio gera mais tokens de saída, o que aumenta custo e latência. Como dá para ver na imagem acima, o modelo GPT-6 Astra tem uma capacidade de raciocínio muito boa, mas o custo por token é alto, então para tarefas simples ele não é a melhor escolha.
Outro benchmark bem interessante de acompanhar é o do Akita on Rails, LLM Benchmark v4: o veredito de open source (até out/2026) que traz uma análise mais voltada para como os modelos executam uma tarefa definida de forma prática, e não apenas métricas de raciocínio, latência e custo por token.
EXTRA: Modelos locais
Um tópico legal que queria trazer aqui é como saber qual modelo local, sem necessidade de pagar um plano da Anthropic ou da OpenAI, pode rodar bem na sua máquina. Temos diversas opções de modelos hoje, e no site https://www.canirun.ai/ é possível visualizar qual roda bem na sua máquina com suas configurações.
Exemplo de quais modelos rodam bem na minha máquina (Processador M5 - 24GB):

Observe quantos tokens por segundo e o score para escolher o que melhor irá desempenhar para seu cenário. Observe também o tipo do modelo, por exemplo: texto, imagem, vídeo e multimodais.
Tenho usado bastante o GPT-OSS 20B para tarefas mais simples. Utilizo normalmente com o Ollama, uma ferramenta que permite rodar modelos locais de forma simples e com integração com o terminal.
Conclusão
Tentei resumir ao máximo o que considero quando vou selecionar o modelo de LLM para uma tarefa. Todos os dias surgem modelos novos (muitos chineses) e para quem tiver interesse vale a pena ir testando e acompanhando os benchmarks, pois nesta área a evolução é muito rápida. Contudo, posso dizer que chegamos a um ponto em que temos modelos super capazes e que podem nos ajudar a resolver problemas complexos sem custar um nintendo switch 2 por mês.
Espero que esse artigo tenha ajudado a clarear um pouco as ideias e que você consiga escolher o modelo certo para sua tarefa!
Obrigado por ler!





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